SEGURANÇA
RS registra 1.280 feminicídios e mais de 27 mil estupros em 13 anos
   
Desde 2012, delegacias gaúchas registraram mais de 850 mil ocorrências de violência contra a mulher

Por Assessoria de Imprensa
28/01/2026 12h12

Desde o início da série histórica, em 2012, delegacias gaúchas registraram mais de 850 mil ocorrências de violência contra a mulher

Entre 2012 e 2025, o Rio Grande do Sul registrou 1.280 feminicídios, segundo balanço da Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência contra a Mulher, da Assembleia Legislativa, com base em dados do Observatório da Violência contra a Mulher da Secretaria de Segurança Pública do RS. O número equivale à média de uma mulher assassinada a cada quatro dias no estado.

No mesmo período, foram contabilizados 27.426 estupros. Em média, são 5,36 casos por dia, o que representa mais de cinco mulheres violentadas sexualmente diariamente — uma a cada quatro horas e meia no Rio Grande do Sul.

Além dos feminicídios consumados e dos estupros, os dados oficiais revelam uma dimensão ainda mais ampla da violência. Somando feminicídios tentados, feminicídios consumados, ameaças, estupros e lesões corporais, as delegacias gaúchas registraram aproximadamente 854 mil ocorrências de violência contra a mulher ao longo desses 13 anos, evidenciando um cenário persistente e estrutural.

O ano de 2018 foi o mais letal para as mulheres, com 116 feminicídios registrados. Já 2023 apresentou o maior número de estupros da série histórica, com 2.815 casos.

Criado em 2012, o Observatório da Violência contra a Mulher também contabiliza milhares de ocorrências de tentativas de feminicídio, ameaças e agressões com lesão corporal. Os dados deixam clara uma violência contínua, que atravessa mais de uma década.

No campo das políticas públicas, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) foi criada no Rio Grande do Sul em 2011, durante o governo Tarso Genro, extinta em 2015 e recriada em 2025. O período sem a secretaria representou uma lacuna importante na coordenação das ações voltadas às mulheres, impactando a prevenção, a continuidade de programas e o fortalecimento da rede de proteção.

Paralelamente, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul mantém, desde 2011, uma atuação permanente por meio da Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência contra a Mulher, voltada especialmente à conscientização dos homens sobre seu papel no enfrentamento à violência de gênero. O trabalho teve início sob a coordenação de Edegar Pretto e, atualmente, segue sob a coordenação do deputado estadual Adão Pretto Filho.

Ao longo desses anos, a Frente tem promovido atividades educativas, campanhas públicas e ações de sensibilização junto aos homens, dialogando em escolas, comunidades, eventos esportivos e espaços públicos, reforçando que o enfrentamento à violência contra a mulher exige mudança cultural, responsabilidade coletiva e políticas permanentes.

Para o deputado Adão Pretto Filho, os números deixam claro o tamanho do desafio. A violência contra a mulher é uma epidemia. E epidemias só se enfrentam com investimento contínuo, especialmente na prevenção, na educação e na conscientização da sociedade”, afirma.

Nesse contexto, o parlamentar destaca como avanço a sensibilização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o tema, que colocou o enfrentamento à violência contra as mulheres como prioridade do governo federal.

Na Assembleia Legislativa, Adão Pretto Filho também é autor de uma proposta em tramitação que prevê a inclusão do conteúdo da Lei Maria da Penha nos currículos da rede pública de ensino, como forma de atuar de maneira preventiva desde a infância e a adolescência, promovendo educação para o respeito, a igualdade de gênero e o enfrentamento ao machismo estrutural.

Iniciativas legislativas e de mobilização social adotadas ao longo dos últimos anos — como o uso de tornozeleira eletrônica para agressores, a Lei da Máscara Roxa, campanhas em estádios de futebol e ações de conscientização — tiveram papel relevante para ampliar a visibilidade do tema e fortalecer mecanismos de proteção. Ainda assim, os dados demonstram que o enfrentamento à violência de gênero exige políticas estruturadas, permanentes e articuladas entre Estado e sociedade.

As estatísticas completas podem ser conferidas no site da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul:
https://www.ssp.rs.gov.br/indicadores-da-violencia-contra-a-mulher

Dupla Grenal se une no combate à violência contra a mulher

Jogadores do Internacional e Grêmio entraram em campo com faixa da Frente Parlamentar de Homens Pelo Fim da Violência Contra a Mulher, liderada pelo deputado Adão Pretto

Quem assistiu ao clássico Grenal do último domingo (25), no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, viu uma manifestação dos jogadores aderindo à campanha de combate à violência contra as mulheres. Os atletas entraram em campo com uma faixa na qual estava estampada a frase “Violência Contra a Mulher, Não!”.

O apelo da frase também é o slogan da Frente Parlamentar de Homens Pelo Fim da Violência Contra a Mulher, coordenada pelo deputado estadual Adão Pretto, na Assembleia Legislativa do RS. Inclusive a ação no clássico foi uma parceria entre a Frente e a dupla Grenal.

“Estamos em meio a uma epidemia de violência contra a mulher. Nos primeiros 24 dias do ano, já tivemos 9 feminicídios em nosso estado, o que é inadmissível. A iniciativa da nossa frente parlamentar é dialogar especialmente com os homens, pois, se tem violência contra a mulher, é praticada majoritariamente pelos homens. Levar esse assunto tão sério para dentro de ambientes como estádios de futebol é fundamental para aumentar a conscientização”, explica o deputado Adão Pretto.

Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que os casos de lesão corporal e ameaça contra as mulheres aumenta 21% em dias de jogo de futebol. Em 90% dos casos, a violência contra mulheres ocorre por parte dos homens.

Levantamento aponta avanço de feminicídios no RS

No início deste ano, a Frente Parlamentar de Homens Pelo Fim da Violência Contra a Mulher divulgou um levantamento dos números de violência de gênero no Rio Grande do Sul. De acordo com os dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública (SSP-RS), entre 2012 e 2025, ocorreram 1284 feminicídios no Estado. Além disso, mais de 27 mil mulheres foram estupradas em território gaúcho neste período.

Somente em janeiro de 2026, já foram registrados nove feminicídios no Estado, média de um crime dessa natureza a cada, 2,7 dias. O deputado Adão Pretto defende maior investimento em acolhimento às mulheres vítimas de violência e também na prevenção. É dele o projeto de lei que prevê a inclusão da Lei Maria da Penha no currículo da rede estadual de ensino.

“Se quisermos um ambiente de paz, sem violência de gênero, temos que investir na prevenção. A educação é um terreno fértil para a conscientização contra o machismo estrutural que está enraizado na nossa sociedade”, concluiu Pretto.


   

  

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