Audiência pública reforça pedido de retirada de regime de urgência do projeto da Corsan
Audiência foi na Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa do RS
Audiência pública proposta pelo deputado Tiago Simon e realizada pela Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa do RS teve encaminhamento unânime em defesa da retirada do regime de urgência dos projetos de privatização e regionalização da Corsan, de autoria do Governo do Estado e que estão tramitando no Parlamento Gaúcho.
O encontro realizado de forma remota na manhã de segunda-feira, 16 de agosto, reuniu parlamentares, prefeitos, autoridades jurídicas, técnicos e lideranças e chegou a uma conclusão muito clara: o tema é muito complexo, existem muitas dúvidas e é necessário mais tempo para o aprofundamento do debate. "Chega a ser uma irresponsabilidade querer decidir dessa forma apressada e precipitada um assunto de tamanha complexidade, sobre uma questão tão sensível e estratégica como água e saneamento, e que vai impactar a vida de todos os gaúchos de forma direta", resumiu o deputado Tiago Simon.
O presidente da Comissão de Assuntos Municipais, deputado Eduardo Loureiro, abriu o encontro também defendendo retirada do regime de urgência dos projetos e alertando para prejuízos incalculáveis que poderão ser acarretados ao Estado, aos municípios e à população gaúcha.
Na mesma linha, o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Mello, não concorda com encaminhamento da questão "a toque de caixa", reiterou que a Capital não vai aderir à regionalização proposta, lamentou que não foram incluídas propostas para resíduos sólidos e drenagem urbana e resumiu sua expectativa: "temos que encontrar uma solução que seja boa para as pessoas, e não apenas ao Governo e o seu Caixa".
O engenheiro e ex-presidente da Corsan Flávio Presser e o economista e ex-diretor do Banrisul e BTG Pactual, Ricardo Hingel, destacaram uma série de inconsistências técnicas e jurídicas nos projetos do governo, inclusive que podem acarretar problemas de improbidade aos prefeitos municipais, como por exemplo a falta de aprovação das adesões dos municípios pelas suas respectivas Câmaras de Vereadores.
Já o advogado Pedro Figueiredo acrescentou que os projetos de regionalização não consideraram critérios técnicos das bacias hidrográficas.
O ex-vice-governador Miguel Rosseto, além de apontar uma série de problemas em relação ao projeto e sua tramitação açodada, defendeu a retirada do regime de urgência e a manutenção da Corsan como empresa pública. Rossetto disse que há uma gestão temerária na Corsan, e o Parlamento Gaúcho deve agir com responsabilidade para evitar prejuízos a toda sociedade gaúcha.
O prefeito de Alegrete, Márcio Amaral, observou que falta muitos esclarecimentos, e que há consenso na Famurs e entre os prefeitos para retirada do regime de urgência e necessidade de mais debate.
O presidente da Famurs, prefeito de São Borja Eduardo Bonotto, defendeu diálogo em torno do que é melhor para os municípios gaúchos. "O que eu quero como presidente da Famurs é que todos tenham saneamento básico e água de qualidade, não importando se empresa seja pública ou privada", ressaltou.
O prefeito de Fagundes Varella, Nelton Conte, lembrou que o município elaborou seu plano municipal de saneamento básico e que agora existem muitas dúvidas sobre sua validade, por isso discorda do regime de urgência.
Em suas conclusões, o deputado Tiago Simon disse que acredita na sensibilidade do Governo do Estado para ouvir a sociedade e todos os atores envolvidos nessa discussão, retirando assim o regime de urgência nos projetos que tramitam no Parlamento. E pontuou alguns aspectos fundamentais:
1 - Municípios perdem sua condição de concedente;
2 - Exigência de leis autorizativas das Câmaras Municipais;
3 - Não existência de critérios técnicos na regionalização.
“Com muito respeito, há um apelo por responsabilidade, uma reivindicação unânime. Por isso, quero fazer um apelo aos deputados dessa Casa e ao Governo do Estado, para que seja retirado o regime de urgência nos projetos da Corsan e se estabeleça um grupo técnico no âmbito da Assembleia Legislativa”, encerrou o deputado Tiago Simon, do MDB.
