Presidente nacional do PTB foi preso no Rio de Janeiro
Acusado de incentivar o ataque armado contra o estado de direito
O ex-deputado federal Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB foi preso na sexta-feira ,13 de agosto, no inquérito das milícias digitais, e foi levado à tarde para um presídio do Complexo de Bangu, na Zona Oeste do Rio.
Jefferson ficará detido em Bangu 8, presídio para onde são levados detentos com curso superior.
Roberto Jefferson foi para Bangu depois de passar numa triagem em Benfica, na Zona Norte, por volta das 15h55. Ele tinha deixado a Superintendência da Polícia Federal do Rio cerca de 20 minutos antes, para dar entrada no sistema prisional fluminense.
Anteriormente, o ex-parlamentar esteve no Instituto Médico-Legal (IML) do Rio, onde passou um exame de corpo de delito. Quinze minutos depois, Jefferson saiu do IML, rumo à Superintendência da Polícia Federal do RJ.
Roberto Jefferson foi preso em casa, em Comendador Levy Gasparian, na Região Serrana do Rio. A autorização da prisão preventiva (que não tem prazo estipulado para acabar) partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Moraes também determinou:
- O bloqueio de conteúdos postados por Jefferson em rede sociais;
- A apreensão de armas;
- O acesso a mídias de armazenamento.
A ordem ocorre dentro do inquérito da milícia digital, que é uma continuidade do inquérito dos atos antidemocráticos.
Em suas redes sociais, começou a postar fotos e vídeos com armas onde fazia ameaças ao estado de direito. Em uma de suas postagens chegou a incentivar cristãos a atirarem com arma de fogo nos agentes de segurança do estado (policiais) que fossem fechar as igrejas no período de restrições a aglomerações devido à pandemia.
Também fazia em suas postagens constantes ameaças aos ministros do STF e a senadores da CPI do Covid, xingando e ameaçando a todos eles com violência. O ex-deputado deseja uma invasão do Congresso Nacional e da Suprema Corte para impor uma ditadura com poder absoluto de Bolsonaro e militares, o que é proibido pela Constituição do Brasil.
Jefferson ameaçava a democracia e pedia a intervenção militar contra a liberdade política de partidos de centro e esquerda. Era um agente político que promovia a violência e pregava o terrorismo, solto e influenciando nas redes sociais. Devido a isso a Polícia Federal, com respaldo da justiça, resolveu prendê-lo.
O advogado de defesa de Roberto Jefferson, Luiz Gustavo Pereira da Cunha, informou que só vai se manifestar depois que tiver acesso a íntegra da decisão do mandado de prisão e da busca e apreensão.
O STF determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestasse sobre o pedido de prisão feito pela PF, mas não foi feito o parecer.
Milícia digital
O inquérito que investiga a organização e o funcionamento de uma milícia digital voltada a ataques à democracia foi aberto em julho, por decisão de Moraes.
Nessa investigação, a PF apura indícios e provas que apontam para a existência de uma organização criminosa que teria agido com a finalidade de atentar contra o Estado democrático de direito.
Essa organização se dividiria em núcleos: de produção, de publicação, de financiamento e político. Outra suspeita é que o grupo tenha sido abastecido com verba pública.
Entre os nomes citados pela PF em um pedido para acessar quebras de sigilo, estão os assessores da Presidência da República acusados de integrar o chamado “gabinete do ódio”, que seria encarregado de promover ataques virtuais nas redes sociais contra desafetos da família do presidente Bolsonaro e adversários do governo.
O ex-deputado Roberto Jefferson foi o pivô do escândalo do mensalão, em 2005. Foi a partir de uma entrevista dele ao jornal "Folha de S. Paulo" que o país tomou conhecimento das denúncias de que o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva passava dinheiro a deputados da base.
Em novembro de 2012, no julgamento do mensalão no STF, ele foi condenado a 7 anos e 14 dias de prisão, pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
Nos últimos anos, já sem mandato parlamentar, Jefferson se aproximou do presidente Jair Bolsonaro e passou a apoiar suas atitudes agressivas e de extrema direita.
Em nota, o Diretório Nacional do PTB manifestou “incredulidade com a prisão”. “O PTB foi surpreendido com mais uma medida arbitrária orquestrada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes”, afirmou a legenda em defesa de seu presidente nacional.
