FORTES CHUVAS CAUSAM VÍTIMAS E PREJUÍZOS NO RS
O ciclone extratropical atingiu com maior força a região Nordeste
O governador Eduardo Leite confirmou na manhã de sexta-feira (16) a morte de uma pessoa no município de São Leopoldo, no Vale do Sinos, por choque elétrico, em razão do temporal que atinge o Rio Grande do Sul. Outras duas pessoas foram dadas como desaparecidas, uma em São Leopoldo; outra em Portão.
No decorrer das ações de socorro foram confirmadas 07 mortes e 08 desaparecidos até o final da sexta-feira, quando as chuvas pararam.
No sábado a contagem chegou a 11 mortos e 15 desaparecidos. Domingo o saldo era de 14 mortes e 2 desaparecidos. Mais de 13 mil pessoas ficaram desabrigadas e foram alocadas em ginásios de esportes, igrejas e casas de amigos. Terça-feira, 20, mais um corpo foi localizado em Gravataí, subindo o número de mortes para 15 no estado. Na terça-feira à noite foi encontrado o último desaparecido, porém sem vida, subindo para 16 pessoas mortas pela força da natureza.
Muitas famílias perderam móveis e parte das casas. Mais de 40 municípios foram atigidos e sofrem com a calamidade.
O ciclone extratropical atinge com maior força a região Nordeste do Estado, com transtornos na Região Metropolitana e no Litoral Norte.
Leite atualizou as informações ao lado do Coronel Luciano Chaves Boeira, que comanda a Defesa Civil no Estado. Cerca de 200 bombeiros atuam nos resgates e 800 policiais militares fazem buscas e isolamentos necessários.
— O momento é de cuidado com as vidas humanas — reiterou Leite em vídeo publicado nas redes sociais.
Os órgãos estão mobilizados desde ontem à tarde. Até a manhã de sexta-feira (16), 625 pessoas já haviam sido resgatadas nas regiões mais atingidas pela chuva.
A sala de situação da Defesa Civil indica que o tempo severo persiste ao longo do dia, o que ainda pode trazer riscos.
O governador reforçou o pedido para que as pessoas não voltem para suas casas até que a situação se normalize. A preocupação maior é em relação ao nível dos rios, que está subindo.
Estradas na serra e a BR 116 em Sapucaia e outros locais foram interditadas. Mais de 460 mil pessoas ficaram sem energia elétrica no estado, árvores e postes caíram e o vendaval levantou telhados em várias cidades que viram o caos.
As aulas foram canceladas em várias escolas, bem como eventos e serviços. O RS viveu um momento de pânico e as consequências estão sendo avaliadas.
Governador reúne secretariado para estabelecer ações de apoio à população afetada pelo ciclone
Leite disse que o momento é de organizar ações de restabelecimento das condições de moradia e estrutura para as famílias - Foto: Maurício Tonetto/Secom
O governador Eduardo Leite reuniu o secretariado, no início da noite desta segunda-feira (19/6), no Centro Administrativo Fernando Ferrari, para atualizar e estruturar novas ações de apoio à população afetada pelo ciclone extratropical que atingiu o Rio Grande do Sul entre a quinta e a sexta-feira passada.
Avaliado como o desastre climático que mais causou perdas humanas na história do Estado, o ciclone devastou especialmente municípios do Litoral Norte, Vale do Sinos e Vale do Paranhana, deixando mais de 7 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas, 14 mortos e um desaparecido até o momento.
Desde o início do fenômeno, as forças de segurança do Estado e a Defesa Civil Estadual estão atuando com foco total no resgate e salvamento de pessoas e animais nos municípios atingidos e no apoio humanitário aos desabrigados. A infraestrutura viária que ficou comprometida está sendo avaliada e recebendo intervenções emergenciais, assim como as escolas prejudicadas.
Para o governador, o momento é de organizar ações de restabelecimento das condições de moradia e estrutura para as famílias que perderam tudo. Para garantir que esse processo tenha maior celeridade, Leite determinou, durante a reunião, a criação de um grupo de trabalho envolvendo a Procuradoria-Geral do Estado e as secretarias de Planejamento, Governança e Gestão, da Fazenda e de Assistência Social.
O governador garantiu que não vai permitir que a situação caia no esquecimento após o momento de grande comoção - Foto: Maurício Tonetto/Secom
O grupo deve trabalhar no desenvolvimento de uma política de apoio financeiro às famílias em situação de vulnerabilidade que sofreram perdas. A ideia é que o aporte extraordinário seja realizado por meio do cartão cidadão, no qual já são depositados benefícios como o Devolve ICMS.
Leite garantiu que não vai permitir que a situação caia no esquecimento após o momento de grande comoção. “Nesta reunião distribuímos responsabilidades e estabelecemos prazos, porque não vamos deixar que se frustrem as expectativas dessas comunidades que foram atingidas e de toda a população gaúcha que acompanhou sensibilizada todo esse momento que acabamos de passar", afirmou.
"Vamos acompanhar ponto a ponto. As necessidades estruturais das escolas, as vacinas que precisam ser providenciadas para aqueles que ficaram expostos nas enxurradas, pontes e estradas que precisam ser reconstruídas e o apoio financeiro para as famílias que perderam tudo”, frisou o governador.
Leite disse que o Estado, além de buscar o apoio do governo federal, também vai atuar com recursos próprios. “Vamos apoiar as pessoas que precisam remobiliar suas casas e também aquelas que perderam suas casas e vão precisar de novas moradias. Tudo isso será organizado pela nossa equipe. Vamos levar ao governo federal e também tomar as nossas próprias providências. O governo do Estado está ao lado dessas comunidades para que possam se recolocar de pé. Não vamos deixar ninguém para trás”, enfatizou.
O secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella, explicou que estão sendo providenciadas passagens molhadas para, de forma emergencial, restabelecer o acesso às localidades afetadas. Concomitantemente, estão sendo avaliadas as soluções para a reconstrução de pontes e viadutos danificados.
Para os pequenos produtores rurais que perderam sua produção em razão das chuvas também serão elaboradas estratégias de auxílio e crédito facilitado.
Texto: Thamíris Mondin/Secom
Edição: Rodrigo Toledo França/Secom


