RJ revive a tragédia das chuvas em Petrópolis
Já são 136 mortos que foram soterrados ou levados pela enxurrada
O Corpo de Bombeiros do RJ, até este momento, confirmou 178 morte em decorrência do temporal que atingiu Petrópolis na terça-feira (15/02).
Mais cedo, o Instituto Médico Legal (IML), vinculado à Polícia Civil do RJ, informou que já havia concluído a identificação de 57 corpos. Destes, 30 já haviam sido liberados para sepultamento.

Mais de 130 pessoas chegaram a ser dadas como desaparecidas por familiares, mas alguns foram posteriormente localizados em abrigos ou identificados entre os mortos. Na manhã de 18/02, pelo menos 57 pessoas ainda estavam sendo buscadas.
Estão sendo empregados drones da Polícia Civil nas atividades de resgate. Os equipamentos apoiam o trabalho da Defesa Civil e sobrevoam regiões buscando sobreviventes e realizando o monitoramento de áreas atingidas, possibilitando avaliar os riscos de novos deslizamentos
Portal de Desaparecidos
Para facilitar o acesso a informações oficiais por parte de familiares, a Polícia Civil lançou dia 18/02 o Portal de Desaparecidos. A entrega da ferramenta, que estava em desenvolvimento há algum tempo, foi antecipada diante da tragédia em Petrópolis.
Pelo portal, é possível consultar fotografias e informações de pessoas desaparecidas em todo o estado do Rio, cujas ocorrências tenham sido registradas em alguma delegacia física ou pela delegacia online. "Os ajustes, em caso de necessidade, serão realizados com a página em funcionamento", informou a Polícia Civil.
Busca e limpeza em Petrópolis
Os trabalhos de busca por vítimas e de limpeza prosseguem nas diferentes regiões da cidade. Segundo informou a prefeitura, mais de 140 carros que foram arrastados pelas chuvas e estavam espalhados pela cidade foram retirados de ruas e de rios. Muitos deles estavam obstruindo vias e dificultando a movimentação das pessoas, já que foram parar nas calçadas.
Foram necessários 35 caminhões de reboque e quatro guinchos para este trabalho. Os veículos rebocados foram levados para o pátio do Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ), no bairro Morin, onde os proprietários poderão retirá-los. Por se tratar de uma tragédia, não haverá cobrança de taxa pelo reboque, nem multa.
O governo do Rio de Janeiro afirma ter sido a pior chuva registrada na cidade desde 1932. A Defesa Civil municipal vem atuando para evacuar as pessoas de áreas de risco.
A orientação é para que os moradores que não tenham a opção de se acolher em casa de familiares em área segura se desloquem para os pontos de apoio. Ao todo, 25 escolas foram designadas pela prefeitura para receber os desabrigados.
Serviços de saúde
As chuvas impactaram também os serviços de saúde, tendo sido suspensos alguns atendimentos, incluindo a vacinação contra a covid-19.
"Além da dificuldade de acesso de alguns profissionais aos locais de trabalho, devido às interdições, algumas unidades também sofreram danos com a chuva", informou a Secretaria de Saúde.
O órgão acrescenta que trabalha para restabelecer a normalidade dos atendimentos. A pasta está priorizando a atuação em unidades próximas ao Morro da Oficina, o local mais atingido.
Houve um grande deslizamento de terra no local, que fica próximo à Rua Teresa, conhecida área comercial perto do centro histórico. A prefeitura estima que cerca de 80 casas tenham sido afetadas.
Chuvas que caíram dia 17 em Petrópolis voltaram a gerar dificuldades para o município. Diferentes vias da cidade foram interditadas em decorrência de alagamentos e inundações, entre elas as ruas Washington Luiz e Coronel Veiga, que ligam o centro histórico ao bairro Quintandinha.
Ao longo de toda a noite, sirenes instaladas próximas a áreas de risco da cidade permaneceram acionadas. Moradores também estão sendo alertados por mensagem de celular sobre a possibilidade de novas precipitações.
A Concer, concessionária de um trecho de 180 quilômetros da rodovia federal BR-040, informou há pouco que a subida da serra de Petrópolis está operando em meia pista em dois pontos devido a ocorrências vinculadas às chuvas.
Edição: Denise Griesinger
Atração turística de Petrópolis, Museu Imperial sofreu poucos danos
Uma das principais atrações turísticas do centro histórico de Petrópolis, o Museu Imperial sofreu poucos danos decorrentes da forte chuva que atingiu a cidade na tarde de terça-feira (15/02).
Segundo uma nota divulgada dia 18/02, o palácio e o acervo foram preservados. A Casa Cláudio de Souza, que funciona como sucursal em outra localidade do centro, também não sofreu danos.

"Os Jardins do Complexo foram afetados, porém sem grandes prejuízos ao espaço. No local, há lama na parte mais baixa e não houve quedas de árvores ou das peças externas, como estátuas e postes. Todo o gramado e os canteiros estão preservados e as equipes de jardinagem, limpeza e manutenção iniciarão os reparos que forem necessários", acrescenta o texto divulgado pelo museu.
Um imóvel separado onde funcionam o refeitório e vestiário dos funcionários sofreu impactos em decorrência de um deslizamento. O Pavilhão das Viaturas, um anexo que abriga vagões e carruagens do século 19, também foi atingido nos fundos por uma barreira, mas as peças não sofreram danos.
O centro foi uma das áreas da cidade mais atingidas no temporal, que causou estragos e deslizamentos de terra em diversos bairros. Quando o volume de chuva se intensificou, havia cerca de 30 pessoas no Museu Imperial, entre visitantes e funcionários. Eles se abrigaram no local até a manhã seguinte.
O governo do Rio de Janeiro afirma ter sido a pior chuva registrada na cidade desde 1932. Já foram confirmadas 136 mortes. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil municipal vem atuando nas buscas e na evacuação das áreas de risco. Há preocupação com novos deslizamentos, diante da previsão de mais chuvas.
Detentor do principal acervo do país relativo ao império brasileiro, o Museu Imperial guarda cerca de 300 mil itens museológicos, arquivísticos e bibliográficos. Além de uma exposição permanente, o local recebe constantes eventos, exposições temporárias e projetos educativos. Desde o temporal, o espaço está fechado ao público e ainda não há previsão para reabertura.
Outras atrações turísticas da cidade também foram poupadas pela chuva e não sofreram grandes danos. De acordo com o Instituto Municipal de Cultura (IMC), o Museu Casa de Santos Dumont e o Museu Casa do Colono não foram afetados.
Já o Theatro Dom Pedro, que atualmente está em obras, e o Centro Cultural Estação Nogueira, que abriga o Museu do Trem, registraram pontos de alagamento, mas os acervos estão preservados.
Também não houve grande impacto no Parque Municipal Prefeito Paulo Rattes, no distrito de Itaipava, localidade menos afetada pela chuva. O espaço, no entanto, foi fechado para visitantes e transformado em ponto de apoio para o recebimento de doações.
Edição: Pedro Ivo de Oliveira
Óbitos confirmados até dia 21/02
As chuvas de terça-feira (15) foram, segundo o governo do Rio de Janeiro, a pior já registrada na cidade desde 1932. Até o momento, foram confirmadas 178 mortes.
O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil municipal vêm atuando nas buscas e na evacuação das áreas de risco.
