Sempre defendi o direito de cada pessoa expressar suas ideias, mesmo quando discordamos delas. Defender a liberdade de expressão é defender a democracia.

O Brasil conhece o preço da liberdade. Gerações anteriores lutaram pela valorização do trabalhador, pela educação pública, pelo direito à propriedade, ao trabalho e à organização sindical. Não vivi os acontecimentos de 1961, 1964 ou 1968, mas reconheço a importância de quem enfrentou o autoritarismo e lutou pela abertura política e pela redemocratização. Todo o Brasil esteve envolvido na luta pelos direitos.

As Diretas Já e a Constituição de 1988 consolidaram direitos fundamentais e fortaleceram o Estado Democrático de Direito. Movimentos populares e estudantis, em todo o país, mobilizaram-se em defesa da democracia. O Brasil esteve mobilizado em defesa dos direitos. Essa história foi marcada por coragem, resistência e sacrifício: muitos sofreram perseguições, prisões e torturas, e alguns perderam a vida por um país livre.

Por isso, preocupa que ainda precisemos reafirmar a importância da democracia diante de riscos de retrocessos políticos e institucionais. A mobilização de artistas, empresários, juristas, educadores, lideranças religiosas e representantes da sociedade civil mostra que a memória histórica permanece viva e que a defesa das liberdades deve ser permanente.

O futuro do Brasil está em debate, e esse processo culminará nas eleições entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A discussão sobre seus projetos deve ocorrer com responsabilidade, memória e compromisso com as instituições. Nenhum candidato está acima da Constituição, e nenhuma disputa pode nos fazer esquecer o valor da liberdade, do diálogo e do respeito às diferenças.

Democracia não significa pensar igual, mas garantir que todos possam pensar, falar, discordar e participar sem medo de perseguição. Foi por esse direito que tantas gerações lutaram.

Não podemos permitir que essa memória seja apagada. A abertura política, as Diretas Já e a Constituição de 1988 foram conquistas do povo brasileiro. Preservá-las é um compromisso com o presente e com as próximas gerações.


Gilmar Goulart Pinto 
Músico, jornalista e suplente de vereador em São Leopoldo