59 ANOS DO POETA LUÍS EDUARDO RODRIGUES

O dia 05 de julho marca o nascimento do poeta rosariense Luís Eduardo Fagundes Rodrigues, também conhecido pelos amigos como Chita e Luizinho para os colegas de prefeitura, onde atuou por 10 anos como exemplar servidor.

Poeta bissexto, como ele meso se definia, escreveu dezenas de poemas que foram publicados em jornais, revistas e coletâneas. Foi um dos editores da Revista Poema-Coisa, publicada no ano de 1985. Foi um dos fundadores e diretor da Casa do Poeta Rosariense (Grupo Vertentes). Deixou um legado literário que merece um livro individual, com biografia, obra completa e imagens deste sensível poeta dos anos 80, 90 e 2000 que trilhou as ruas de Rosário do Sul, Porto Alegre, Canela, Gramado, Porto Seguro, Triângulo mineiro, Santa Catarina e São Paulo.

Se especializou em turismo e hotelaria, viajou e conheceu diversos estados do Brasil, trabalhando no turismo. Acabou voltando à sua terra natal quando foi assessor de turismo no governo municipal de Rosário do Sul e trabalhou em outros setores e secretarias da administração municipal.

Foi pai de Guilherme. Amigo fiel dos amigos. Devoto de Jesus Cristo e nas horas de silêncio e meditação escrevia seus poemas que nos deixou anotados em suas agendas e nas publicações em que participou.

Luís Eduardo Rodrigues estaria neste dia 05 de julho de 2021 completando seus 59 anos de existência. Mas partiu deste plano em 2018, deixando saudades entre seus amigos, amigas e familiares.

Para comemorar seu aniversário, vamos fazer a leitura de alguns de seus poemas que publicamos aqui neste momento para os amigos e amigas.

UTOPIA FUTURÍSTICA

Aquilo que sinto

Me leva a acreditar

Que apesar a decadência

Em que vive toda esta gente

O signo da violência

Um dia vai acabar.

Talvez seres mais inteligentes

Encontrem soluções

Terminando com ilusões

E hipocrisias puritanas

Congelando reminiscências

De outros tempo menos ruim.

Então dirão

A vida voltará a ter sentido,

E o amor-exilado-

Florescerá em todas as primaveras

Nos corações puros.

CABEÇA DE VAMPIRO

Nos lábios marcados pelo tempo

Ficaram os vestígios de sangue envenenado

Noites de primavera sob a lua

Vida escorrendo entre as mãos

Liberdade nua

Gesto vão

Inútil prisão

Em cabeça inacabada.

Nos olhos felinos

Traz um brilho marrom

Com paz na sua retina

Atormentada pelo neon

Cenas urbanas obscenas

De província inquieta.

A boca fala da guerra humana

Da bota suja que pisa

Naquele que cala

E não berra

Contra a hipocrisia mundana.

HOSPITAL

Está tudo tão claro

Esse banco me dá arrepios

Amedronta o médico e o louco

E as enfermeiras com dedos frios

E feições crispadas

Sem medo da morte

TRANSE

De vez em quando

Tudo se transforma

Num caos profundo

E uma imagem disforme

Fala da fome do mundo

Das guerras sem fronteiras

Nem uniformes

Da morte nos guetos.

Solta no ar

A cabeça pensa devagar

Em algo que está longe

Distante dos meus redutos.

INQUISIÇÃO

Calam-se bocas a tapas

Matam-se poetas pretos e brancos

Ferem olhos

Desfazem sonhos

Mergulham os humanos na lama

Proliferam cadáveres putrefatos.

SALADA DO POETA LOUCO

Passa das onze

A noite fica imensa

Os medos transparecem

Na dor constante

Nada cortante

Na lua de luz intensa.

Quem pensa

Mas não sabe

Aquilo que vive

Num canto escuro da alma

Não suporta a luz do sol

Nem aceita ser livre

Naquilo que cabe.

Fitei o poeta louco

Acompanhei seu movimento febril

Em busca das horas

Seu rosto hostil

Não admitia réplicas

Perdido na solidão

Da grande cela

Esfacela a mão e determina

Cala o coração

Rasga a rima.