Abertura oficial do Pavilhão da Agricultura Familiar na Expointer exalta a importância do espaço
372 empreendimentos foram selecionados, um aumento de 10
A cerimônia oficial de abertura do Pavilhão da Agricultura Familiar (PAF), ocorrida no final da manhã de quinta-feira (31/8), foi marcada por falas que deram a dimensão da importância da participação do setor produtivo na 46ª Expointer, depoimentos validados por dados.
O PAF chega à sua 25ª edição batendo recordes históricos de vendas e expositores em comparação com as edições anteriores. Os 372 empreendimentos selecionados, um aumento de 10% em relação à 2022, já foram responsáveis por comercializar um montante de R$ 4.264.736,25 de sábado, início das vendas, até esta quinta, um aumento de 13,62% em relação ao mesmo período de 2022. Os jovens estão à frente de 87 bancas e as mulheres comandam outras 148, informações ressaltadas pelas autoridades. As famílias são oriundas de 174 municípios.
O ato solene movimentou o pavilhão e contou com a presença do diretor-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, representando o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite e o secretário de Desenvolvimento Rural (SDR-RS), Ronaldo Santini. Também subiram ao palco da atividade o coordenador-geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf-RS), Douglas Cenci, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva, e Salete Carollo, da direção estadual do MST, representando a Via Campesina no ato, todas entidades integrantes da comissão organizadora do PAF junto com o MDA e a SDR, grupo que também inclui a Emater/RS-Ascar, ligada ao governo do Estado.
Edegar Pretto ressaltou que o pavilhão, hoje o local mais visitado da Expointer, existe graças à perseverança do ex-governador do RS Olívio Dutra que, em 1999, conseguiu que os dirigentes da Expointer abrissem espaço para a agricultura familiar. Naquele ano, 30 produtores colocaram seus produtos embaixo de uma lona cravada em chão batido, conquistando aos poucos respeito e visibilidade. A lembrança arrancou aplausos calorosos dos presentes.
Pretto contextualizou a importância da retomada de políticas públicas para a agricultura brasileira: “Vamos colher neste ano uma super safra. Serão 320 milhões de toneladas de grãos. Teremos recorde na produção de carne. O Brasil está produzindo muito e exportando bastante. A grande questão é que teremos a menor lavoura plantada de arroz e feijão dos últimos 47 anos. Este é o preço da falta de incentivo e investimento na produção de comida. Aumenta nossa safra, mas diminui a produção que é consumida no nosso país. E é por isso que é MDA voltou, que o Plano Safra da agricultura familiar voltou, com R$ 77 bilhões para financiar para pequenos produtores rurais”, destacou.
Durante a cerimônia, o governador Eduardo Leite falou da pluralidade do pavilhão e sua importância. "Este espaço é, sem dúvidas, o xodó da nossa Expointer. É onde mais os gaúchos gostam de frequentar e se encontrar, o lugar mais democrático, plural e diverso da feira. Aqui estão jovens, mulheres, assentados, indígenas, artesãos, tantos que trabalham no segmento Insisto que não são pequenos produtores, mas o grandes produtores de pequenas propriedade”, discursou.
“O MDA é o principal parceiro apoiador financeiro para a viabilização desse Pavilhão. Nossa política no Rio Grande do Sul é de unir esforços para evitar os problemas”, disse o secretário Santini.
Salete Carollo falou da função social da agricultura familiar, que é produzir alimentos saudáveis, abastecendo o mercado interno. “Aqui, neste galpão, está expressa a dimensão mais profunda do que é a cooperação, as novas relações humanas que se estabelecem na lida da produção”.
Douglas Cenci apontou: “Estamos diante do maior Pavilhão da Agricultura Familiar da história. Isto se dá sim graças ao trabalho das entidades, do Governo do Estado e do Governo Federal, mas principalmente pela dedicação do conjunto dos agricultores que, há décadas, trabalham para fazer com que o produto aqui exposto seja o melhor possível”.
Carlos Joel da Silva anunciou a realização de mais um sonho dos organizadores do Pavilhão: a participação, pela primeira vez, dos premiados no Concurso de Produtos da Agricultura Familiar (leia mais abaixo) no tradicional Desfile do Campeões da Expointer, atividade que ocorre nesta sexta-feira. “É justo com essas pessoas, pois não é fácil para os agricultores estar aqui”, indicou.
Crédito fundiário para os jovens e cooperativas
Logo após a abertura oficial do PAF, ocorreu a solenidade de assinatura dos três primeiros contratos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) operacionalizados pela Conab, beneficiando três cooperativas gaúchas. Em um segundo momento, foram assinados outros três contratos, desta vez do Programa Nacional de Crédito Fundiário, beneficiando jovens agricultores familiares.
No primeiro caso, foram beneficiadas a Cooperativa dos Apicultores e Fruticultores da Zona Sul (Cafsul), a Cooperativa de Comercialização da Agricultura Familiar de economia Solidária (Cecafs) e a Cooperativa Regional dos Assentados da Fronteira Oeste Ltda (Cooperforte), atingindo o montante de R$ 2.295.594,02 contratados. A Conab faz o pagamento adiantado dos produtos para as cooperativas em valor de mercado local e elas devolvem esse adiantamento com a entrega de produtos para entidades que integram o projeto.
Os agricultores Leandro Fernandes Mendes, de Santana do Livramento, Talisson Treichel Hobus, de São Lourenço do Sul, e Francieli Beatriz Muller, de Cerro Branco, assinaram contratos de crédito para aquisição de terras que totalizam R$ 506.578,41, recursos que serão liberados, via Banco do Brasil. Eles terão 25 anos para pagar os valores, com juros de 2,5% ao ano.
