Morreu o compositor e cantor gaúcho Bebeto Alves
RS se despede de um dos maiores nomes da MPG
O consagrado cantor e compositor Bebeto Alves faleceu na madrugada de 07 de novembro no complexo hospitalar da Santa Casa, em Porto Alegre, vítima de complicações com o câncer de pulmão que enfrentava há pouco mais de um ano. Ele era transplantado de fígado e estava com 68 anos de idade, sendo considerada a sua passagem como uma morte prematura.
Bebeto Alves gravou vários álbuns, fez cinema e fotografia, suas paixões artísticas. Foi um dos fundadores do movimento da MPG - Música Popular Gaúcha, nos anos 80 e 90, juntamente com vários artistas urbanos do estado que experimentaram misturar a milonga dos pampas com outros ritmos mais modernos, como o rock e o pop.
Sua vida encantou a todos que gostam de uma boa e saudável música popular. Sua morte deixou triste seus familiares, amigos, amigas e fãs. O seu corpo foi velado no Teatro São Pedro, o principal palco do estado e da capital gaúcha.
Com mais de 30 discos lançados, com músicas gravadas por Ana Carolina, Belchior, Ednardo, Kleiton e Kledir, Tânia Alves, entre outros, Bebeto Alves dedicou-se ao trabalho como artista visual nos últimos anos. Entre os destaques de sua carreira como músico, ele participou da coletânea Paralelo 30 (1978), formada só por artistas gaúchos. Seu primeiro disco solo, Bebeto Alves, foi lançado em 1981. Um de seus maiores sucessos foi Quando Eu Chegar, lançada em compacto em 1984.
Natural de Uruguaiana, Bebeto Alves deixa a esposa, Simone Schlindwein, três filhas — Kim Bins, Luna Lisboa Alves e a atriz Mel Lisboa —, frutos de relacionamentos anteriores, Desiré e João Pedro — filhos de Simone —, além de quatro netos.
Em entrevista ao programa Madrugada Gaúcha, da Rádio Gaúcha, o cantor Luiz Marenco relembrou a importância de Bebeto para a música gaúcha.
— A gente perdeu uma voz do nosso Estado que ecoou por esse mundo. Eu sou um cantor regional, mas o Bebeto foi a voz do canto regional que ecoou no rock, na MPB, na música brasileira. Ele levou nossa música. Ele fez com que nós fossemos compreendidos por todo esse universo que ele circulava. Todos os cantores regionais devem muito a esse cantor. Porque ele tinha um respeito a sua identidade, a sua cultura — disse Marenco.
