Dez ministros deixaram o governo federal na quinta-feira (31/03) e se preparam para a corrida eleitoral. O movimento se deve a Lei Complementar nº 64/1990, que determina que autoridades do Executivo devem deixar o cargo no prazo de até seis meses antes de concorrerem às eleições gerais.

No saldo final do dia, o presidente Jair Bolsonaro (PL) terá o apoio de aliados em quatro regiões do país, sendo o Norte a única exceção.

Dos dez ex-ministros, quatro são candidatos ao Senado, três são a governador, um é candidato à Câmara dos Deputados e um possivelmente será o vice para compor a chapa de reeleição de Bolsonaro.

Somente a ex-ministra Damares Alves segue com destino incerto.

Bolsonaro também pode se orgulhar de ter levado cinco dos ministros para o PL.

O movimento também se refletiu na Câmara e o partido de Bolsonaro agora tem 66 deputados, se tornando a maior bancada na Casa.

Confira a lista dos ministros que saíram e seus sustitutos:

Casa Civil:

Sai: Flávia Carolina Peres (Flávia Arruda), que, agora, reassume o mandato na Câmara dos Deputados. Ela é pré-candidata ao Senado no Distrito Federal.

Entra: Célio Faria Junior, antes chefe do gabinete pessoal de Bolsonaro.

Agricultura

Sai: Tereza Cristina, que, agora, reassume o mandato na Câmara dos Deputados. Ela é pré-candidata ao Senado pelo Mato Grosso do Sul.

Entra: Marcos Montes Cordeiro, ex-deputado, então secretário-executivo da Pasta.

Cidadania

Sai: João Roma, que retoma o mandato de deputado federal. Ele é pré-candidato ao governo da Bahia.

Entra: Ronaldo Vieira Bento, então chefe da assessoria de Assuntos Estratégicos do ministério.

Ciência e Tecnologia

Sai: Marcos Pontes, que vai concorrer a uma vaga de deputado federal por São Paulo.

Entra: Paulo César Rezende de Carvalho Alvim, que era secretário de Inovação do ministério.

Desenvolvimento Regional

Sai: Rogério Marinho, que vai concorrer ao Senado pelo Rio Grande do Norte.

Entra: Daniel de Oliveira Duarte Ferreira, então secretário-executivo da pasta.

Infraestrutura

Sai: Tarcísio de Freitas, pré-candidato ao governo de São Paulo.

Entra: Marcelo Sampaio Cunha Filho, que deixa a secretária executiva do ministério.

Mulher, Família e Direitos Humanos

Sai: Damares Alves, que deve concorrer ao Senado ou à  Câmara dos Deputados pelo Distrito Federal.

Entra: Cristiane Britto, até então secretária nacional de Políticas para as Mulheres.

Trabalho e Previdência

Sai: Onyx Lorenzoni, que reassume o mandato na Câmara dos Deputados. Ele é pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul.

Entra: José Carlos Oliveira, presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Turismo

Sai: Gilson Machado, pré-candidato ao Senado por Pernambuco.

Entra: Carlos Alberto Gomes de Brito, então diretor-presidente da Embratur.

Secretaria Especial de Cultura

Sai: Mário Frias, que se filiou ao PL, partido de Bolsonaro, e anunciou pré-candidatura a deputado federal por São Paulo

Entra: Hélio Ferraz de Oliveira, até então secretário nacional do audiovisual e número da pasta.

Defesa

Sai: Braga Netto, que agora vira Assessor Especial do Gabinete Pessoal do Presidente. Ele é cotado para ser o vice de Bolsonaro

Entra: General Paulo Sergio Nogueira de Oliveira, que ocupava o cargo de comandante do Exército.

Outras exonerações

O Diário Oficial trouxe ainda a exoneração, a pedido, de Alexandre Ramagem do cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O substituto ainda não foi nomeado. Delegado da Polícia Federal (PF), Ramagem foi coordenador da segurança de Bolsonaro na eleição em 2018.

Na Fundação Cultural Palmares, saiu o presidente Sérgio Camargo. Ele não informou a que cargo deve concorrer em outubro. O substituto dele ainda não foi informado. Na última terça-feira (29/3), ele se filiou ao PL e escreveu em suas redes sociais: “Filiei-me ao PL! Negros não precisam ser vítimas. Negros são livres. Pretos e brancos unidos”.