O agora ex-deputado estadual Ruy Irigaray, eleito pelo PSL em 2018, teve seu mandato cassado por seus pares na tarde de 22 de março de 2022 no Plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. O placar da votação foi de 45 votos pelo sim e apenas 03 deputados votaram não. 

A cassação do deputado vai ser publicada no Diário Oficial de quarta-feira (23). Com isso, o político ficará inelegível por oito anos. Eram suficientes 28 votos para cassar o mandato de Irigaray. Antes da votação em plenário, a Comissão de Ética e a Comissão de Constituição e Justiça já haviam dado parecer favorável à cassação do político por unanimidade.

Ruy Irigaray foi acusado de utilizar funcionários do gabinete da AL em obras de reformas na casa de sua sogra.

Em maio de 2021, a Assembleia Legislativa deu início ao processo ético que culminou com a votação desta terça. Além da reforma na casa, o deputado também teria organizado um suposto esquema de "rachadinha" para exigir parte dos salários de assessores, conforme relato de duas ex-funcionárias e promovido um "gabinete do ódio", responsável por críticas a adversários nas redes sociais. A comissão da Assembleia que pediu a cassação de Irigaray pelo suposto desvio de função de servidores não encontrou provas da prática de "rachadinha" e da existência do "gabinete do ódio".

Em janeiro deste ano, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Porto Alegre ajuizou uma ação civil pública contra Irigaray por suspeita de improbidade administrativa no caso. O Ministério Público afirma que houve "enriquecimento ilícito em benefício próprio e de seus familiares". A ação é limitada à matéria cível e pode resultar em medidas como restituição dos valores, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos e pagamento de multa.

Ruy Irigaray foi um dos deputados estaduais mais votados no RS, conquistando votos na sombra do presidente Bolsonaro, que lhe deu apoio neste pleito.

Ruy Irigaray foi eleito pelo PSL, hoje União Brasil, com 102,1 mil votos prometendo lutar contra a corrupção. O parlamentar foi o segundo mais votado entre os 55 eleitos em 2018.

Neste período também exerceu o cargo de Secretário Estadual de Desenvolvimento no governo de Eduardo Leite.

Indicou o seu correligionário de São Paulo, Deputado Federal Eduardo Bolsonaro, para receber a Medalha Mérito Farroupilha, em cerimônia na ALRS.

Irigaray tentou, no Judiciário, barrar o trâmite do processo na Assembleia Legislativa. No início de março, o desembargador Arminio José Abreu Lima da Rosa, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, negou liminar em favor do deputado, pedindo que a resolução sobre a cassação de seu mandato não fosse analisada pelo parlamento.

No mandado de segurança, Irigaray disse que houve nulidades no processo ético-disciplinar enfrentado por ele na Comissão de Ética da AL-RS. Além disso, o político questiona os prazos do processo. O desembargador Arminio José Abreu Lima da Rosa considerou que "não é caso de deferimento de liminar, ante a absoluta ausência de verossimilhança nas alegações do impetrante".

No dia 14 de fevereiro, a desembargadora Matilde Chabar Maia, da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, já havia negado pedido semelhante do deputado.

Veja como cada deputado votou:

Em ordem alfabética

Favoráveis à cassação (45):

  • Aloísio Classmann (PTB)
  • Any Ortiz (Cidadania)
  • Beto Fantinel (MDB)
  • Capitão Macedo (era do PSL, se filia ao PL após a votação)
  • Carlos Búrigo (MDB)
  • Clair Kuhn (MDB)
  • Dalciso Oliveira (PSB)
  • Dirceu Franciscon (PTB)
  • Dr. Thiago Duarte (União Brasil, era do DEM)
  • Edegar Pretto (PT)
  • Eduardo Loureiro (PDT)
  • Elizandro Sabino (PTB)
  • Elton Weber (PSB)
  • Ernani Polo (PP)
  • Fábio Ostermann (Novo)
  • Faisal Karam (PSDB)
  • Fernando Marroni (PT)
  • Fran Somensi (Republicanos)
  • Franciane Bayer (PSB)
  • Gabriel Souza (MDB)
  • Gaúcho da Geral (PSD)
  • Gerson Burmann (PDT)
  • Gilberto Capoani (MDB)
  • Issur Koch (PP)
  • Jeferson Fernandes (PT)
  • Juliana Brizola (PDT)
  • Kelly Moraes (era do PTB, se filia ao PL após a votação)
  • Luciana Genro (PSOL)
  • Luiz Marenco (PDT)
  • Marcus Vinícius (PP)
  • Mateus Wesp (PSDB)
  • Neri o Carteiro (Solidariedade)
  • Paparico Bacchi (PL)
  • Patrícia Alba (MDB)
  • Pedro Pereira (PSDB)
  • Pepe Vargas (PT)
  • Sergio Peres (Republicanos)
  • Sérgio Turra (PP)
  • Sofia Cavedon (PT)
  • Stela Farias (PT)
  • Tenente Coronel Zucco (PL)
  • Tiago Simon (MDB)
  • Vilmar Zanchin (MDB)
  • Zé Nunes (PT)
  • Zilá Breitenbach (PSDB)

Contrários à cassação (3):

  • Rodrigo Maroni (PSC)
  • Ruy Irigaray (União Brasil, era do PSL)
  • Vilmar Lourenço (PP)

Não votaram (7):

  • Valdeci Oliveira (PT) - Presidente, só vota em caso de empate
  • Adolfo Brito (PP)
  • Airton Lima (Podemos)
  • Eric Lins (era do DEM, se filia ao PL após a votação)
  • Frederico Antunes (PP)
  • Giuseppe Riesgo (Novo)
  • Luiz Fernando Mainardi (PT)