NO DIA NACIONAL DA ESCOLA, LEMBRANÇAS DE BRIZOLA E DARCY RIBEIRO

Minha coluna de hoje traz reflexões do meu amigo, músico e compositor Régis Marques. Ele traz à tona suas lembranças dos tempos da escola e o que pensa sobre o presente e o futuro da educação contemporânea. Palavras sábias de quem tem a experiência como principal legado de sua formação de homem humilde do campo e talentoso representante da classe dos poetas e cantores da música regionalista do nosso RS. Leia com calma e absorva cada palavra deste amigo mestre:

"Minha infância, na Vila Pinto, em São Leopoldo, se deu ouvindo meus pais falar em Leonel Brizola e Dr. Olímpio Albrecht. Minha mãe tinha como prioridade para os seus filhos a educação. Escrevo isso porque estou numa caminhada política preparando e divulgando minha pré-candidatura a deputado estadual pelo PDT e, ao longo dos mais de 40 anos de vida profissional, dedicados a música e a cultura, a escola na vila foi minha base. 
Tenho vida e experiência como cidadão e quero deixar opiniões e fazer resgate do que ouvia e do que defendo como alternativa para o meu povo, meu Rio Grande e meu país. Tenho exemplos na política e hoje quero falar de dois deles. Brizola e Darcy Ribeiro.
Hoje é o Dia Nacional da Escola. A data surgiu para celebrar a importância dessa instituição para todos, estudantes, professores e sociedade em geral. É na escola que as crianças intensificam a convivência social e aprendem normas e regras fundamentais para o seu desenvolvimento como seres humanos. 

 

Leonel Brizola e Darcy Ribeiro: 
o sonho da escola pública de tempo integral

Brizola dizia: "Nenhuma Criança Sem Escola no RS"
A teoria e a prática caminhavam lado a lado na vida política de Brizola. No ano de 1962, quando era governador do Rio Grande do Sul criou a grande campanha pela alfabetização, segundo dados de um folheto do governo na época, Brizola chegou a empregar em educação o equivalente a 36% do orçamento. Foram feitas 4,8 mil escolas e 526 mil novas matrículas. O número de professores, que, em 1959, era de 8.785, passou, em 1962, para mais de 22 mil. O esforço pela educação se baseava no slogan “Nenhuma Criança Sem Escola no Rio Grande do Sul” e na premissa de que sem educação não há desenvolvimento. 
Segundo os registros as brizoletas eram padronizadas, todas pintadas de verde, amarelo e azul, eram feitas de madeira e com uma treliça em parte da área do alpendre, na frente. Conforme a quantidade de alunos, as brizoletas eram constituídas de uma ou duas salas de aula e um pequeno espaço para o preparo da merenda escolar. As maiores constituíam-se de duas ou três salas de aula, cozinha com fogão a lenha, armários, material de cantina, tudo de acordo com a época. Algumas, grandes, geralmente em alvenaria, eram chamadas de escolas rurais. 
Mas o sonho foi mais longe, para o Estado do Rio de Janeiro. Segundo Sônia Castro Lopes, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enquanto governador do Rio de Janeiro, a grande contribuição de Leonel de Moura Brizola e Darcy Ribeiro se deu na criação dos CIEPS (Centros Integrais de Educação Pública). O projeto implementou uma nova política de ensino público de forma inovadora no estado do Rio de Janeiro. Darcy Ribeiro, vice-governador à época, inspirou-se nas ideias do educador Anísio Teixeira para criar o primeiro Projeto de Escola Pública de Horário Integral na rede escolar de 1º grau do país. “Educação não é despesa, é investimento” dizia Darcy e só no ano de 1986 cerca de 40% do orçamento estadual foi aplicado na Secretaria de Educação e Cultura.

VIVA A ESCOLA. VIVA A EDUCAÇÃO. Pública, de qualidade e de turno integral."

Régis Marques
Músico e compositor

Com este texto, homenageamos todos aqueles que fazem a vida e o dia a dia das escolas brasileiras.